A análise dos tecidos, aliada à análise do solo, permite uma avaliação mais eficiente do estado nutricional da planta, possibilitando o redirecionamento do programa de adubação, caso não se esteja alcançando os resultados esperados.

Em geral, são analisados em rotina os teores totais dos:

- MacronutrientesNitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Enxofre (S)

- Micronutrientes: Ferro (Fe), Zinco (Zn), Cobre (Cu), Manganês (Mn), Boro (B)

 

Certificações

 

Os tecidos das plantas mostram o status nutricional das mesmas em dado momento, revelando sua real capacidade de absorver os nutrientes. Dessa forma, a análise dos tecidos, aliada à análise do solo, permite uma avaliação mais eficiente do estado nutricional da planta, culminando em possíveis redirecionamentos do programa de adubação. Isso é possível devido à estreita relação existente entre a produção das culturas e o teor de nutrientes em seus tecidos.

O tipo da cultura, a idade, parte da planta e época de amostragem são variáveis que afetam a interpretação dos resultados das análises. Por essa razão, cuidados são necessários na coleta das amostras. Para que os resultados da análise foliar possam ser comparados aos teores considerados adequados, a amostragem deverá ser realizada de acordo com a cultura, conforme exemplos constantes da tabela abaixo. 

 

Cultura

Tipo de folha

Nº de folhas por área ou setor

Café

3º ou 4º pares de folhas sem pecíolo, contados da ponta para a base de ramos produtivos localizados na altura média da planta. O ideal é coletar as folhas nos quatro lados da planta, ou seja, posição norte, sul, leste e oeste.

30

Cana-de-açúcar

Folha + 3; folha + 1 = com primeira lígula (= região de inserção da bainha do colmo). Terço mediano, excluída a nervura principal, quatro meses após brotação.

20 a 30

Citros

3ª ou 4ª folha a partir do fruto. Folhas do ciclo da primavera, de ramos frutíferos, com frutos de 2-4 cm de diâmetro.

20

Essências florestais

Folhas primárias e recém-maduras.

18

Feijão

Primeira folha amadurecida a partir do ramo.

30

Milho

Folha oposta e abaixo da espiga (uma folha por planta).

30

 

Após a coleta, acondicionar as amostras de material vegetal em sacolas de papel identificadas, que devem ser enviadas para o laboratório de preferência no mesmo dia ou mantidas em refrigeração (geladeira), ou ainda secá-las em estufa a 70°C antes do envio.

Quando chegam ao laboratório, as amostras são lavadas em água destilada contendo um pouco de detergente. Em seguida são enxaguadas com água corrente em porções sucessivas, com o objetivo de remover todo o detergente. Posteriormente são passadas na água deionizada, colocadas sobre o papel absorvente e secas em estufa com circulação forçada de ar, com temperatura variando de 65 a 70°C. Após secas, as amostras são moídas, acondicionadas em sacos de papel devidamente identificados e encaminhadas para análise.

Em geral, são analisados em rotina os teores totais dos macronutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre) e dos micronutrientes (ferro, zinco, cobre, manganês, boro). 

A extração dos elementos químicos do tecido vegetal ocorre por três vias principais: Digestão Sulfúrica (Nitrogênio), Digestão Nítrico-Perclórica (Fósforo; Potássio; Cálcio; Magnésio; Enxofre; Cobre; Ferro; Manganês; Zinco) e Digestão por Via Seca – Incineração (Boro).

 

Métodos e princípios de determinação dos nutrientes

Nitrogênio – É determinado através do método Semi-micro-Kjeldahl, onde ocorre a transformação do nitrogênio amoniacal (NH4)2SO4 em amônia (NH3), a qual é fixada pelo ácido bórico e posteriormente titulada com H2SO4 até nova formação de (NH4)2SO na presença de indicador de ácido/base.

Fósforo – É determinado por meio do método da colorimetria do metavanadato, no qual o ânion H2PO4 reage com MoO42- e VO32-, em meio ácido, formando um complexo de coloração amarela que absorve a luz na região 420 nm.

Cálcio, Magnésio e Potássio – Estes elementos são determinados através do método da espectrofotometria de absorção atômica (EAA), com o auxílio de lâmpadas de cátodo oco específicas para cada elemento. Os metais das soluções aspiradas na chama na faixa de 2.000°C a 2.500°C transformam-se em estado fundamental dos átomos. O átomo de cada elemento químico absorve a energia em um comprimento de onda definido. A quantidade de energia absorvida é proporcional à população do átomo na chama, que, por sua vez, é proporcional à concentração da solução. Para a determinação simultânea do Ca e Mg é necessária a adição de lantânio para prevenir interferências ocasionadas pela presença de fosfatos e de alumínio. Assim, o lantânio evita a formação de compostos termicamente estáveis entre magnésio ou cálcio com fosfatos e alumínio.

Enxofre – O sulfato é determinado por meio do método turbidimétrico, em que o S orgânico do tecido vegetal é transformado em SO42- no processo de digestão. O SO42- forma um precipitado branco com Ba2+, sendo a turbidez medida em espectrofotômetro na forma de absorbância.

Cobre, Ferro, Manganês e Zinco – Estes elementos são determinados diretamente do extrato nítrico-perclórico de vegetais, por espectrofotometria de absorção atômica, sem praticamente haver problemas de interferência ou de ionização, usando as lâmpadas de cátodo oco respectivas. De modo geral, a energia absorvida pela lâmpada é proporcional à concentração do elemento da solução aspirada na chama ar-acetileno.

Boro – É determinado pelo método da espectrofotometria com azometina-H, em que o ácido bórico reage com o reagente azometina-H e forma um complexo colorido que absorve a luz na região de 420 nm.

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