A análise nematológica tem por objetivo identificar e, se necessário, controlar a infestação de nematoides fitoparasitas, que são vermes microscópicos que habitam o solo e atacam principalmente as raízes das plantas, causando sérios danos às culturas agrícolas e acarretando prejuízos ao produtor.

Redução do sistema radicular e do desenvolvimento da cana-de-açúcar devido à presença de nematoides

Para a realização das análises nematológicas se faz necessária a coleta de amostras de solo e de raízes, sendo que ambos os materiais são submetidos à extração dos nematoides, realizada por centrifugação em solução de sacarose, com posterior peneiramento, contagem e identificação do gênero e da espécie. No caso das raízes, as mesmas são batidas em liquidificador para trituração antes da extração.

A identificação taxonômica é feita, sempre que possível, desde o gênero até o nível de espécie e é realizada por meio de estudos morfológicos e consulta a chaves taxonômicas, com auxílio do microscópio óptico e do microscópio estereoscópico.

A época de amostragem é fundamental para a correta interpretação das análises. Abaixo estão duas tabelas com as recomendações de épocas de amostragem para cana-de-açúcar nas diferentes regiões brasileiras.

 

Épocas recomendadas para coleta de amostras para análise de nematoides em cana-de-açúcar nas regiões sudeste e centro-oeste do Brasil.

Épocas recomendadas para coleta de amostras para análise de nematoides em cana-de-açúcar na região nordeste do Brasil.

A coleta das amostras de solo e raízes deve ser feita em umidade natural, evitando-se ao máximo condições de encharcamento ou excessivo ressecamento. As amostras de solo e de raízes devem ser tomadas de 0 a 30 cm de profundidade, abrindo-se o solo em forma de V. Deve-se retirar amostras junto às plantas que mostrem sintomas moderados, evitando-se aquelas fortemente atacadas. Durante a amostragem, deve-se caminhar em zigue-zague.

Em áreas que apresentam o sintoma em reboleira, a amostragem deve ser feita nas plantas que se encontram na periferia. As subamostras de solo e raízes coletadas nos baldes devem ser misturadas, tomando-se uma amostra composta de, no mínimo, 500 gramas de solo e em torno de 100 gramas de raízes.

Quantidades de raízes e de solo a serem enviadas ao laboratório


Os nematoides atingem diversas culturas, com níveis de danos variados, sendo que os mais comuns são: Meloidogyne, Pratylenchus, Rotylenchulus, Heterodera, Globodera, Rodopholus, Nacobbus e Tylenchulus. Destes, os dois primeiros são os que mais causam prejuízos às principais culturas brasileiras, como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, café, etc.

O gênero Meloidogyne com suas espécies causam uma doença nas plantas denominada meloidoginose. Essa doença é caracterizada pela formação de tumores radiculares, conhecidos popularmente como galhas. As plantas doentes têm baixa produtividade, apresentam raízes tuberosas e os tubérculos alimentícios ficam deformados e perdem seu valor comercial.

Sintomas causados pelo nematoide das galhas (Meloidogyne spp.) em lavoura de soja e nas raízes de plantas de soja.

Raízes de cana-de-açúcar com sintomas do nematoide de galha (Meloidogyne spp.)


O Pratylenchus é outro gênero de bastante importância agrícola. Possuem muitas espécies, sendo que algumas se reproduzem sexuadamente, como a P. coffeae, e outras assexuadamente, como a Pratylenchus brachyurus. 

Esses nematoides causam anualmente milhões de prejuízos, pois provocam lesões nas raízes e consequente mau desenvolvimento das plantas. Abaixo, sintomas deste nematoide nas principais culturas brasileiras.

Raízes de soja sem (a) e com (b) ataque de nematoide

 

Sintomas de Pratylenchus brachyurus ocorrendo em reboleiras, com presença de folhas amareladas, bem como os danos causados por este nematoide ao sistema radicular do milho.

 

 

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